Tecnologia, inteligência artificial, experiência do paciente, saúde mental e humanização no Sistema Único de Saúde (SUS) estiveram no centro dos debates do 4º Simpósio de Inovação e Gestão na Saúde e do 2º Simpósio de Humanização na Saúde. Promovido pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação da Fundação iNOVA Capixaba, vinculada à Secretaria da Saúde, o evento reuniu especialistas nacionais, gestores, profissionais e estudantes em discussões sobre soluções aplicáveis à qualificação da assistência em saúde. As atividades foram realizadas entre os dias 13 e 15 de maio, no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Espírito Santo (Senac-ES), em Vitória.
A programação teve início no dia 13 de maio com minioficinas voltadas a temas como métodos ágeis de gestão de projetos, acreditação em saúde, inteligência artificial aplicada à gestão, humanização nas UTIs, inteligência comportamental e grupos de discussão sobre humanização. As atividades ocorreram simultaneamente e reuniram profissionais de diferentes áreas da saúde e da gestão pública.
A abertura oficial dos simpósios aconteceu no dia 14 de maio e contou com a presença do secretário de Estado da Saúde, Kim Barbosa, que destacou a importância de transformar conhecimento em resultados concretos dentro das unidades de saúde. “O sucesso de eventos como este se mede pelo impacto real na assistência prestada à população”, afirmou.
Para o diretor-geral da Fundação iNOVA Capixaba, Rafael Amorim, os simpósios reforçam a importância de aproximar conhecimento, inovação e prática assistencial dentro dos serviços de saúde. “Durante os três dias de programação, promovemos trocas de experiências, integração entre profissionais e discussões sobre soluções inovadoras voltadas à construção de uma assistência mais eficiente, tecnológica e centrada nas pessoas. Mais do que discutir tendências, o objetivo foi fortalecer práticas capazes de gerar impacto real no cuidado prestado à população”, destacou.
Inovação, gestão e transformação digital na saúde
A palestra de abertura foi conduzida pelo médico sanitarista e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina Neto, que abordou os desafios da inovação e da gestão na saúde. Durante sua fala, destacou que inovação e gestão precisam caminhar juntas para transformar ideias em resultados concretos na assistência.
Gonzalo afirmou que a inovação na saúde exige um olhar criterioso sobre segurança, eficácia e incorporação responsável das novas tecnologias. “A inovação na saúde precisa comprovar duas coisas: não fazer mal e fazer bem. Não basta uma tecnologia ser promissora. Ela precisa ser segura, eficaz e viável para incorporação no sistema de saúde”, ressaltou.
Ao longo da programação, mesas-redondas e palestras abordaram temas ligados à excelência operacional, gestão de pessoas, segurança do paciente, qualidade assistencial, experiência do paciente e transformação digital nos serviços de saúde.
Na mesa-redonda sobre inovação na gestão da excelência operacional, o vice-presidente da Regional Zona Sul do Rio de Janeiro da Rede D’Or São Luiz, Fernando Torelly, destacou a importância do alinhamento entre estratégia, liderança e cultura organizacional para fortalecimento dos serviços de saúde. O debate reuniu especialistas em discussões sobre eficiência operacional, sustentabilidade institucional e inovação aplicada à melhoria da assistência prestada aos pacientes.
Já os debates sobre gestão de pessoas trataram dos impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho, liderança, bem-estar e fortalecimento das equipes nos ambientes de saúde.
Humanização, experiência do paciente e saúde mental
O Simpósio de Humanização na Saúde reuniu ainda discussões sobre a Rede HumanizaSUS, saúde mental nas UTIs, acreditação e selo de humanização, experiência do paciente, inteligência ampliada e boas práticas desenvolvidas por instituições de saúde.
A psicóloga e pesquisadora clínica das Unidades Críticas do Hospital Sírio-Libanês, Renata Rego Lins Fumis, abordou os impactos emocionais enfrentados pelos profissionais das UTIs e destacou a importância de estratégias de comunicação e fortalecimento das equipes para redução do sofrimento moral nos ambientes de terapia intensiva.
Outro destaque da programação foi a palestra sobre experiência do paciente e cuidado centrado na pessoa, ministrada pelo consultor de CRM e Experiência do Cliente do Hospital Israelita Albert Einstein, Lucas Lippi. Durante a apresentação, o especialista destacou a importância da escuta ativa e do uso da inteligência artificial para análise das manifestações dos pacientes e aprimoramento da assistência.
Boas práticas e integração entre instituições
O encerramento do Simpósio de Humanização na Saúde contou com a apresentação de 10 trabalhos de boas práticas desenvolvidos por diferentes instituições de saúde. As apresentações abordaram temas ligados à humanização da assistência, promoção da saúde do trabalhador, segurança do paciente e melhoria contínua dos serviços.
Para a gerente de Ensino, Pesquisa e Inovação da Fundação iNOVA Capixaba, Ana Carolina Ramos, os simpósios reforçam a importância de criar espaços permanentes de troca de experiências e atualização profissional dentro da saúde. “Reunir especialistas, gestores, profissionais e estudantes em debates sobre inovação, gestão e humanização fortalece a construção de soluções aplicáveis à realidade dos serviços de saúde e contribui diretamente para a qualificação da assistência prestada à população”, pontuou a profissional.
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